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domingo, 14 de novembro de 2010

Caim, o primeiro criminoso

O homem uniu-se a Eva, sua mulher: ela concebeu e pôs no mundo Caim. Então, ela disse: «Dei a vida a um homem com a ajuda do Senhor!» A seguir, pôs no mundo Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor, e Caim cultivava a terra.

Passados tempos, Caim apresentou produtos da terra em oferenda ao Senhor. Por seu lado, Abel apresentou os primeiros cordeirinhos do seu rebanho, oferecendo deles as melhores partes. O Senhor voltou o seu olhar para Abel e a sua oferta, mas retirou o olhar de Caim e da sua oferta.

Caim ficou muito irritado e mostrava um rosto abatido. O Senhor disse a Caim: «Porque estás irritado, porquê esse rosto abatido? Se tu agires bem, voltarás a erguer o rosto. Mas se agires mal, o pecado deitar-se-á à tua porta. Ele espreita-te, mas tu deves dominá-lo.»


Caim disse a seu irmão Abel: «Vamos passear pelos campos.» E, quando estavam no campo, Caim lançou-se sobre o seu irmão Abel e matou-o.
O Senhor disse a Caim: «Onde está o teu irmão?» Caim respondeu: «Não sei. Serei eu o guardião do meu irmão?» O Senhor replicou: «Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão grita da terra até mim! Então, agora, sê amaldicoado pela terra que abriu a boca para beber o sangue de teu irmão, sangue que tu próprio derramaste. Podes cultivar a terra, mas ela não produzirá nada para ti. Tu serás errante, um vagabundo através do mundo.» Então Caim disse ao Senhor: «Este castigo é superior às minhas forças! Eis que hoje me baniste da minha terra. Devo esconder-me longe de ti, serei errante, um vagabundo através do mundo, e o primeiro a encontrar-me matar-me-á.» O Senhor respondeu-lhe: «Se alguém matar Caim, Caim será vingado sete vezes.» E o Senhor colocou um sinal sobre Caim para o preservar de ser morto pelo primeiro que o encontrasse.

Deus rejeita os camponeses?
Nunca saberemos por que Deus aceitou a oferta de Abel e não a de Caim. Não há dúvida de que a narrativa manifesta, por parte do autor ou dos autores, uma preferência pela profissão de pastor de rebanhos em detrimento da de agricultor. Na sua discussão com Caim, Deus não diz as suas razões em aceitar ou recusar uma oferta, e não responde ao debate entre pastores e agricultores.
Não é a profissão, mas antes a reacção de Caim que origina o problema: primeiro a sua irritação, como se tivesse todos os direitos e todos os méritos diante de Deus, e sobretudo, a violência que conduziu ao assassinato do seu irmão.

Pecado - Pensa-se, por vezes, que cometer um pecado é escolher fazer algo de mal. Esta definição não é correcta. O pecado, na Bíblia, consiste fundamentalmente em se afastar de Deus livre e voluntariamente. Em vez de escolher o caminho de Deus indica para ir para junto dele, prefere-se seleccionar outro, isto é, escolhemos ''afastar-se'', ''errar'', ''desviar-se'' para longe dele.

A tradição das ofertas
As ofertas são presentes que se dão a uma divindade. Elas permitem, por exemplo, ao crente agradecer a Deus o nascimento de um filho ou os produtos da terra. Assim, os povos antigos tinham por hábito oferecer, em cada ano, os primeiros produtos da colheita e os primeiros cordeiros dos rebanhos.

Caim é castigado, mas continua a ser protegido
O pecado de Adão e Eva era uma desobediência directa à ordem dada por Deus, relativamente à árvore do bem e do mal. O pecado de Caim aparece como a primeira falta cometida contra um ser humano. No momento em que a narrativa é escrita, a humanidade conta vários milénios, e a violência está já tristemente inscrita no coração da sua história. A ''maldição'' de Caim é a denúncia suprema de toda a forma de violência assassina dirigida contra os seus semelhantes. Mas Deus não comete o erro de responder à violência com violência. Apesar da sua falta, Caim continua a ser um ser humano a quem Deus entende proteger.

domingo, 7 de novembro de 2010

O homem é expulso

A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus havia criado. Ela disse à mulher: «Então, Deus disse-vos: "Vós não comereis de nenhuma árvore do jardim?"» A mulher respondeu à serpente: «Nós comemos os frutos das árvores do jardim. Mas sobre a que está no meio do jardim, Deus disse: "Desta não comereis, não lhe tocareis, senão morrereis."» A serpente disse à mulher: «Nada disso! Vós não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que comerdes dessa árvore, os vossos olhos abrir-se-ão, e vós sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.» A mulher apercebeu-se de que o fruto da árvore devia ser saboroso, que tinha um aspecto agradável e era desejável, uma vez que dava inteligência. Ela tomou o fruto e comeu-o. Deu também ao seu marido e ele comeu-o. Então abriram-se-lhes os olhos e viram que estavam nus. Coseram folhas de figueira e fizeram tangas.

Ouviram o Senhor Deus que passeava pelo jardim, na brisa do dia. O homem e a mulher esconderam-se dos olhos do Senhor Deus entre as árvores do jardim. O Senhor Deus chamou o homem e disse-lhe: «Onde estás?» O homem respondeu: «Ouvi-te no jardim, tive medo porque estou nu e escondi-me.» O Senhor replicou: «Quem te disse que estavas nu? Eu proibi-te de comer o fruto da árvore; será que tu o comeste?» O homem respondeu: «A mulher que tu me deste, foi ela quem me deu o fruto da árvore, e eu comi-o.» O Senhor Deus disse à mulher: «Que fizeste?» A mulher respondeu: «A serpente enganou-me, e eu comi.» Então, o Senhor Deus disse à serpente: «Por teres feito isto, serás amaldiçoada entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens dos campos. Rastejarás sobre o ventre e comerás a poeira todos os dias da tua vida. Criarei hostilidade entre a mulher e tu, entre a sua descendência e a tua descendência: a sua descedência esmagar-te-á a cabeça, e tu atingir-lhe-ás o calcanhar.»

Em seguida, o Senhor Deus disse à mulher: «Multiplicarei os sofrimentos da tua gravidez, entre dores darás à luz os teus filhos. O desejo levar-te-á para junto de teu marido, e ele dominará sobre ti.»

Por fim, disse ao homem: «Por teres escutado a voz da tua mulher, e teres comido o fruto da árvore que eu te tinha proibido de comer: maldita seja a terra por tua causa! À força de sofrimento tirarás dela o alimento todos os dias da tua vida. Ela produzirá espinhos e cardos, mas tu terás o teu alimento cultivando os campos. É com o suor do teu rosto que ganharás o teu pão, até que regresses à terra de onde vieste; porque tu és poeira e regresserás à poeira.»


O homem chamou à sua mulher Eva (que significa a que vive), porque ela foi a mãe de todos os viventes. O Senhor Deus fez túnicas de pele para o homem e a mulher se vestirem. Depois o Senhor Deus declarou: «Eis que o homem se tornou como um de nós, por causa do conhecimento do bem e do mal! Agora, não permitamos que ele estenda a mão e colha também o fruto da árvore da vida, que o coma e viva eternamente!» Então, o Senhor Deus expulsou-o do jardim do Éden, para trabalhar a terra de onde fora tirado. Ele expulsou o homem, e colocou, a oriente do jardim do Éden, os Querubins armados com espada flamejante, para guardar o acesso à árvore da vida.


A Serpente - Animal conhecido pelo seu veneno mortal, a serpente era considerada por certos povos antigos como uma divindade capaz de curar as doenças. Os autores da Bíblia apresentam a serpente como um animal astuto e inteligente, mas não como um deus. Ridicularizam-no mesmo, mostrando-o incapaz de se segurar de pé, condenado a rastejar na poeira da terra. Para eles, é uma simples criatura que utiliza a sua inteligência para fazer o mal.


Todo nu - Cada cultura viu no vestuário uma forma de dar ao corpo uma dignidade e mostrar uma aparência que não a da animalidade. Na Bíblia, a interdição da nudez é muito forte. Desvelar a nudez de alguém é torná-lo fraco e ridículo, retirar-lhe a sua força. A partir do momento em que se deu conta de que estava nu, Adão teve vergonha do seu corpo.


A mulher é responsável pelos males do mundo?
Eva foi a primeira a ser tentada e a ceder à tentação.
Através dos escritos do Apóstolo Paulo e dos Padres da Igreja, muitas vezes se quis dar à primeira mulher - e por consequência a todas as mulheres - todo o peso da falta.
Em vez de responsabilizar a sua mulher, Adão também tem de responder pelos seus actos. O pecado provocou uma divisão no interior do primeiro casal. Contudo, nem adão nem Eva podem assumir a responsabilidade dos males do mundo. Compete a cada homem e a cada mulher assumir as responsabilidades de respeitar o outro na sua diferença, e de trabalhar para reconstruir o mundo.


A Morte - Aqui a descoberta da morte está ligada à descoberta do bem e do mal. O mal é uma espécie de morte. Quando alguém escolhe o mal, vai ao encontro daquilo por que foi criado, está do lado da morte. A morte de que se trata aqui é a morte dos sentimentos, do pensamento, de tudo o que não está com o sentido da vida. Para se opor à morte, é necessário estar do lado da vida, amar o que existe na vida. Os autores bíblicos relembram sem cessar que Deus é a vida, e convidam o homem a escolher as forças da vida e não as da morte.


Ser expulso do jardim: um acaso?
Perdemos o paraíso pela nossa falha? Na verdade, nós já vivemos num tal paraíso? Se olharmos bem a narrativa, apercebemo-nos de que o ser humano tinha sido colocado no jardim para cultivar a terra (Gn 2, 5) e que foi expulso de lá... com a missão, ainda e sempre, de a cultivar (Gn3 , 23)! Então, nada desta primeira missão mudou, mesmo depois da falta. Apenas o ser humano ganhou maior consciência dos seus limites. O paraíso era um belo sonho: este sonho é agora realizável, uma vez que o ser humano assume a responsabilidade de guardar e cultivar este jardim da terra que Deus lhe confiou.

domingo, 31 de outubro de 2010

Criação ou Big Bang: quem diz a verdade?

Para a Bíblia, o mundo foi criado por Deus em sete dias. Hoje, os cientistas concordam em dizer que o universo nasceu de um Big Bang original, que ocorreu há muitos milhares de anos. Estas afirmações parecem contraditórias; contudo, elas são complementares.


Galileu tinha razão

«A intenção do Espírito Santo é ensinar-nos como devemos ir para o céu, e não como vai o céu.» Galileu tinha compreendido que a Bíblia e a ciência não eram concorrentes. Mas, na época, a Igreja não o entendia assim. Galileu afirmava que a Terra girava em volta do Sol, o que parecia incompatível com a Bíblia. Mais tarde, a Igreja Católica reconheceu os seus erros. Galileu tinha razão!

O Génesis, uma narrativa mítica

O primeiro livro da Bíblia, o Génesis, conta a história da criação do mundo por Deus. Essas narrativas não são textos históricos ou jornalísticos. O seu género literário tem mais a ver com o mito ou a epopeia. Não têm qualquer pretensão científica. Além disso, a Bíblia propõe duas narrativas da Criação diferentes e, por vezes, contraditórias: elas foram escritas com vários séculos de intervalo e são apresentadas, nos nossos dias, como se uma se seguisse à outra!

Outras epopeias

Antes de Povo de Israel, outras culturas vizinhas tinham já exprimido em grandes textos a sua compreensão das origens do mundo. Podemos apontar, por exemplo, a grande epopeia suméria de Gilgamesh ou textos do Egipto antigo. Assim, a maior parte das civilizações do mundo têm as suas próprias narrativas das origens. Fúteis, ultrapassadas? Escrever e ler este tipo de narrativas é sempre uma forma de reflectir sobre o lugar do homem no universo, sobre as relações humanas (entre homens e mulheres, entre pais e filhos), ou sobre a origem do mal. Uma tal reflexão será sempre actualidade sejam quais forem as descobertas científicas.

Ciência e Bíblia: não é preciso escolher!

A ciência procura compreender as origens do universo, estuda o movimento dos planetas, a velocidade das partículas ou o funcionamento das células. Ela estuda factos e elabora teorias.
A Bíblia testemunha a procura dos homens sobre o sentido da vida, o bem e o mal, a alegria e o sofrimento, a justiça e a injustiça. Ela propõe palavras de sabedoria e um caminho de vida, ela revela um Deus inquieto pela felicidade do homem.
Então, entre Bíblia e Ciência, não há necessidade de escolher! No decorrer dos séculos, numerosos homens da Igreja foram grandes cientistas. Mendel, o pai da genética, era monge! Hoje, muitos cientistas são também crentes profundos.


Fundamentalismo? Perigo!

Alguns cristãos fazem uma leitura fundamentalista da Bíblia. Isto quer dizer que lêem a narrativa bíblica como se fosse uma verdade científica. Refutam, por exemplo, a teoria da evolução de Darwin e afirmam que o mundo foi criado exactamente em sete dias. Uma leitura fundamentalista da Bíblia foi condenada pela maior parte das grandes Igrejas, nomeadamente, a Igreja Católica.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Outra forma de narrar as origens

Quando o Senhor Deus fez a terra e o céu, não havia um único arbusto sobre a terra, nenhuma erva germinava, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar. Mas a água nasceu da terra e embebeu todo o solo. Então o Senhor Deus modelou o homem com a poeira tirada do chão; insuflou-lhe nas narinas o sopro da vida, e o homem tornou-se um ser vivo.
O Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e aí colocou o homem que havia modelado. O Senhor Deus fez crescer do solo toda a espécie de árvores maravilhosas e com frutos saborosos: também havia uma árvore da vida no meio do jardim, e uma árvore do conhecimento do bem e do mal. O Senhor Deus conduziu o homem ao jardim do Éden para ele o cultivar e guardar. O Senhor Deus fez ao homem este aviso: «Podes comer os frutos de todas as árvores do jardim; mas não poderás comer da árvore do conhecimento do bem e do mal; porque, no dia em que comeres, serás condenado a morrer.»

O Senhor Deus disse: «Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma ajudante semelhante a ele.» Com a terra, o Senhor Deus criou todos os animais dos campos e todas as aves do céu, e colocou-os junto do homem para ver que nomes este lhes daria. Eram seres vivos e o homem deu um nome a cada um. Então, o homem deu os seus nomes a todos os animais, às aves do céu e a todos os animais dos campos. Mas não encontrou nehum ajudante parecido com ele. Então o Senhor Deus fez cair sobre ele um sono misterioso, e o homem adormeceu. O Senhor Deus tirou uma das duas costelas e voltou a fechar a sua carne. Com aquilo que tirou do homem, formou uma mulher e trouxe-a para junto do homem.
O homem então disse: «Esta é verdadeiramente osso dos meus ossos e carne da minha carne! Chamar-se-á: mulher. Por sua causa, o homem deixará o seu pai e a sua mãe, juntar-se-á a sua mulher, e os dois farão um só.» Os dois, homem e mulher, estavam nus, e não sentiam qualquer vergonha um diante do outro. (Gn 2, 4-25)


Porquê duas narrativas de criação?
O Génesis começa por duas narrativas da criação. A primeira mostra um Deus "maestro de orquestra". Ele executa metodicamente a sua obra de criação, e apenas com a sua palavra faz aparecer todas as coisas. A segunda, mais antiga, mostra um Deus artesão, que planta um jardim sobre a Terra e forma o ser humano com as suas próprias mãos, com a argila do solo. Estas narrativas de estilo diferente contam coisas essenciais sobre as origens do mundo e, como tal, julgou-se bem guardá-las. A primeira considera o conjunto do universo, enquanto que a segunda insiste mais sobre a Terra e o ser humano que a cultiva.

Éden - Esta palavra vem de uma lingua antiga, o sumério. Edin significa planície, terreno fértil. É um lugar simbólico, que não podemos situar geograficamente. Designa o jardim perfeito e idílico que Deus ofereceu a Adão e Eva. Hoje, esta palavra permanece na linguagem corrente para designar um lugar paradisíaco.


O Sopro da Vida
Segunda a narrativa bíblica, a criação do ser humano por Deus fez-se em dois tempos. Tal como um oleiro, Deus começa por «modelar» uma forma com a «poeira da terra». O ser humano pertence à terra, e isso é para ele um limite incontornável. Num segundo tempo, Deus comunica-lhe directamente o seu próprio «sopro de vida» para o tornar um «ser vivo». O ser humano também pertence a Deus porque partilha o seu sopro de vida.


Os frutos proibidos
A ideia da árvore do conhecimento do bem e do mal e da árvore da vida não é nova. Vem, certamente, de outras narrativas, mais antigas, em particular das babilónicas. Entre este povo, fala-se de uma árvore da verdade e de uma árvore da vida à entrada do céu. Para os autores da narrativa bíblica, a árvore da vida dá a imortalidade, e Deus proíbe o homem de comer os frutos da árvore do conhecimento do bem e do mal. Não porque este conhecimento seja mau, mas o problema é o bom ou mau uso que o homem fará desse conhecimento.

Homem e mulher, qual é a diferença para a Bíblia?
No centro da obra de Deus, está o ser humano. A primeira narrativa da criação utiliza o termo «Adão», palavra que desiga a espécie humana em geral. Macho e fêmea pertencem a uma só e única humanidade e são iguais em dignidade. Imaginando que Deus forma a mulher a partir de uma costela do homem, a segunda narrativa diz a mesma coisa: os dois são tecidos da mesma humanidade. Nos dois casos, o homem e a mulher são postos em relação e definem-se pela atracção que têm um pelo outro.


Adão, o primeiro homem?
"Adão" é uma palavra derivada da palavra hebraica adamah, que significa "a terra". Com efeito, Adão não é nem um nome próprio nem um nome de família; é um nome comum.
Das quinhentas e sessenta vezes que aparece na Bíblia, só cinco vezes é usado como nome próprio, o nome do primeiro homem. "Adão" designa a humanidade, quer dizer, o homem e a mulher.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Palavra Cria

No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o sopro de Deus pairava sobre as águas.

Deus disse: "Faça-se a luz." E a luz fez-se. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz das trevas. Deus chamou à luz "dia", e às trevas "noite". Aconteceu uma tarde, e aconteceu uma manhã: foi o primeiro dia.

E Deus disse: "Que haja um firmamento no meio das águas, e que ele separe as águas." Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam sob o firmamento das que estavam por baixo do firmamento. E assim foi. Deus chamou ao firmamento "céu". Aconteceu uma tarde, e aconteceu uma manhã: foi o segundo dia.

E Deus disse: "Reúnam-se as águas que estão debaixo dos céus num só lugar, para aparecer terra firme." E assim foi. Deus chamou à terra firme "terra" e à massa das águas "mar". E Deus viu que isso era bom.

Deus disse: "Que a terra produza ervas, plantas que tenham sementes e árvores de fruto que dêem frutos contendo semente, segundo a sua espécie." E assim foi. A terra produziu a erva, plantas com sementes e árvores de fruto que deram frutos contendo sementes, segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom. Aconteceu uma tarde, aconteceu uma manhã: foi o terceiro dia.

E Deus disse: "Haja luminários no firmamento dos céus para separar o dia da noite; que sirvam de sinais para marcar as festas, os dias e os anos; e que eles sejam, no firmamento dos céus, as luminárias que vão iluminar a terra." E assim foi. Deus fez duas grandes luminárias: a maior para reinar sobre o dia, a menor para reinar sobre a noite; também fez as estrelas. Deus colocou-as no firmamento dos céus para iluminar a terra, para reinar sobre o dia e sobre a noite, para separar a luz das trevas. E Deus viu que isso era bom. Aconteceu uma tarde, aconteceu uma manhã: foi o quarto dia.

E Deus disse: "Que as águas sejam habitadas por uma profusão de seres vivos, e que as aves voem sobre a terra, sob o firmamento dos céus." Deus criou, segundo a sua espécie, os grandes monstros marinhos, todos os seres vivos que se movem nas águas, e todas as aves, segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom. Deus abençoou-os e disse estas palavras: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei os mares, que as aves se multipliquem sobre a terra." Aconteceu uma tarde, aconteceu uma manhã: foi o quinto dia.

E Deus disse: "Que a terra produza seres vivos segundo a sua espécie, animais domésticos, répteis e animais ferozes, segundo a sua espécie." E assim foi. Deus fez os animais selvagens segundo a sua espécie, os animais domésticos segundo a sua espécie e os répteis segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom. Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança. Que ele seja senhor dos peixes do mar, das aves do céu, dos animais domésticos, de todos os animais selvagens, e de todos os répteis que rastejam sobre a terra." Deus criou o homem, à sua imagem, à imagem de Deus o criou, ele os criou homem e mulher. Deus abençoou-os e disse-lhes: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e dominai-a. Sede os senhores dos peixes do mar, das aves do céu, e de todos os animais que se movem sobre a terra." Deus disse ainda: "Dou-vos todas as plantas que têm semente sobre a face da terra, e toda a árvore cujo fruto transporta uma semente: isso será o vosso alimento. Aos animais selvagens, às aves do céu, a tudo o que se move sobre a terra e que tem sopro de vida, dou como alimento toda a erva verde." E assim foi. E Deus viu tudo o que tinha feito: era muito bom. Aconteceu uma tarde, aconteceu uma manhã: foi o sexto dia.

Assim foram feitos o céu e a terra e todo o seu conjunto. No sétimo dia, Deus tinha concluído a sua obra. Ele repousou, no sétimo dia, de toda a obra que tinha feito. E Deus abençoou o sétimo dia: fez dele um dia sagrado porque, nesse dia, ele repousara de toda a obra de criação que tinha feito. Esta é a origem do céu e da terra, quando foram criados. (Gn 1, 1-31; Gn 2, 1-4)


Que princípio é este?
Em hebraico, a primeira palavra da Bíblia significa "num princípio" mas também "cabeça", o que implica a ideia de excelência ou de modelo, como se diz de um aluno que é o primeiro da sua turma. Assim, este princípio é muito importante. Os autores do Génesis não falam nem do começo do tempo, do primeiríssimo instante, nem do começo absoluto de todas as coisas. Para eles, este começo ou princípio, é o momento em que Deus decide criar.

A Força da Palavara
Para as civilizações vizinhas, mas antigas do que a Bíblia (mesopotâmica ou egípcia), a criação do mundo tem a ver, sobretudo, com um deus artesão e com algumas divindades que deviam combater as forças do caos. Encontra-se também o cenário de um parto resultante da união sexual dos deuses.
A narrativa bíblica guardou certos traços dos dois primeiros cenários, mas distingue-se pela insistência no facto de que Deus criou pela palavra: «Deus disse... e fez-se luz.» Os seis dias da narrativa da criaçção distinguem-se pelas "dez palvras" que Deus pronuncia para criar e organizar o mundo.

O Firmamento - Os antigos hebreus representavam a Terra como um disco plano, protegido por uma semi-esfera sólida: céu ou firmamento. Esta abóbada é iluminada por astros e rasgada por aberturas para deixar passar a chuva, o granizo , a neve.

Luminários - É o nome dos astros: estrelas, planetas, cometas. Na época bíblica, numerosos povos prestam um verdadeiro culto ao Sol ou à Lua. Contudo, os autores da Bíblia lançaram uma ideia nova: os atros não são divindades. Fazem parte da Criação, como o Céu e a Terra.

O Homem na Natureza
A criação do universo aparece, em toda a sua diversidade, como uma obra planificada e ordenada por Deus. Para coroar esta obra, deus cria o ser humano e confia-lhe o acompanhamento das coisas e o pleno desenvolvimento dos recursos do universo e da natureza. O ser humano está ligado, desde a sua criação, a este universo e à natureza que o rodeia, devendo agir em interacção com eles. A sua responsabilidade é grande, e ele deve exercê-la no prolongamento do gesto criador de Deus, para que a vida se multiplique e para que, transformando a natureza, possa contribuir para embelezar o universo.

Nós somos o espelho de Deus?
A palavra "imagem" tem o sentido de "representação", "efígie". A Bíblia emprega esta palavra a propósito dos reis que fazem erigir uma estátua em sua honra. Deus agiu como esses reis: mas, para se representar, escolheu o ser humano, livre e responsável, e não uma estátua imóvel, sem alma. Assim, Deus torna-se mais familiar, mais humano. Isto significa ainda que, no mais profundo do homem, há alguma coisa de divino. Mas atençção: para os autores da Bíblia, o homem não é Deus! Eles afirmam simplesmente que, naquilo que o homem tem de melhor, podemos encontrar a melhor imagem de Deus.

O sétimo dia, Dia Sagrado
Depois de ter criado o mundo em seis dias, Deus repousou um dia inteiro. Primeiro a civilização judaica, depois a cristã retomaram esta frase da Bíblia para organizar a sua própria vida e ritmar o tempo. Os judeus param de trabalhar ao sábado, dia do sabbat, enquanto os cristãos escolheram o domingo para celebrar Deus, em memória da ressurreição de Cristo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PENTATEUCO - Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio

O Pentateuco é, ao mesmo tempo, a abertura e o coração do Antigo Testamento. Abertura porque se trata dos primeiros livros da Bíblia. Abertura, também, porque é aí que se encontram as narrativas da criação do mundo, e a história das origens do povo de Israel. O conjunto destes textos representa, para os judeus, a lei que regula toda a sua existência, a direcção a seguir e a transmitir. É este o significado da palavra hebraica torá. É a memória viva de toda a Bíblia, tanto para os judeus como para os cristãos. Em grego, a palavra Pentateuco designa os estojos que continham os rolos dos cinco primeiros livros da Bíblia.
Autores?

Durante muito tempo, pensou-se que Moisés era o autor do Pentateuco, porque ele ocupa nestas narrativas um lugar muito importante. Hoje, sabe-se que a redacção destes textos demorou muito tempo. Todos estes textos foram reunidos e compostos depois da vitória do imperador persa Ciro sobre os babilónios, em 539 a. C. Os babilónios tinham esmagado o reino de Judá e destruído Jerusalém. Os judeus regressam então do exílio, protegidos pela paz de Ciro, e reencontram uma grande liberdade religiosa. Correntes diferentes de sacerdotes e escribas participam na redacção desta formidável busca das origens, a partir de documentos antigos, de fontes orais ou escritas. A sua ambição é transmitir de geração em geração os valores fundadores da história do povo de Deus, de Israel. Ao contrário das nossas modernas preocupações, não se trata de dar um testemunho histórico ou cinetífico sobre as origens do mundo. Trata-se de se narrar para viver. Para os judeus, como para os cristãos, não há lei nem fé válidas se não forem enraizadas na memória das narrativas vivas que atravessam as gerações.


Um Deus que liberta

O Pentateuco conta as origens do povo de Israel como uma história de libertaçção, cuja iniciativa se deve ao Deus único de Abraão, de Isaac, de Jacob e de Moisés. O povo hebreu volta a ser escravo no Egipto. Deus liberta-o. A saída do Egipto e a libertação da escravatura, sob a direcção de Moisés, são os acontecimentos fundadores que brilham em toda a Bíblia.

GÉNESIS - Génesis é o título dado ao primeiro livro da Bíblia pelos judeus de Alexandria que, a partir ddo século III a.C., traduziram em grego as Escrituras hebraicas. Com efeito, Génesis significa, em grego, "começo, início". Neste livro, o povo de Israel e as suas instituições ainda não existem. O livro é composto por três partes: a história da criação do mundo (capítulos 1 a 11), a história dos grandes patriarcas (capítulos 12 a 36) e a história de José (capítulos 37 a 50).

ÊXODO - O título deste livro vem do grego latinizado exodus, que significa "saída". Esta narrativa relata a saída do povo de Israel do Egipto, os primeiros passos do povo livre no deserto, depois a aliança do Senhor Deus com o seu povo. A sua escrita terá começado muito cedo, talvez no século X a. C., mas a redação final data do século VI a. C.

LEVÍTICO - A época narrada neste livro insere-se entra a saída do Egipto e o início dos quarenta anos de marcha do povo de Israel no deserto. O seu título faz referência não à instituição dos levitas (assistentes de sacerdotes), mas à tribo de Levi, de onde saiu Aarão, o irmão de Moisés. Este texto é constituído por um conjunto de leis.

NÚMEROS - O Levítico tinha deixado o povo de Israel reunido ao pé do Sinai. O livro dos Números abre com uma ordem de marcha: o povo deixa o Sinai e retoma o seu caminho através do deserto. O título refere-se às numerosas contagens que se encontram na obra por ocasição dos recenseamentos.

DEUTERONÓMIO - Esta palavra vem do grego e significa "segunda lei". A palavra aparece no capítulo 17 e designa a cópia da Lei que o futuro rei do povo deverá escrever na presença dos levitas, e que deverá guardar consigo. Moisés é a personagem central: é sempre ele que fala em todo o livro. O último capítulo narra a sua morte, na terra de Moab, à entrada da Terra prometida.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Bíblia - o que sabemos? (3)

As traduções

A Bíblia é um dos livros mais traduzidos no mundo. Entre os cristãos do Ocidente, a primeira das grandes traduções, a Vulgata, foi feita por S. Jerónimo, no século IV da nossa era. S. Jerónimo traduziu em latim a partir de textos hebraicos e gregos. No entanto, o latim só era compreendido pelos sábios e pelas pessoas da Igreja. É necessário esperar pelo século XV para que a Bíblia seja traduzida em línguas compreendidas por um maior número de pessoas. Assim, Martinho Lutero, traduzindo a Bíblia em alemão e utilizando a imprensa, recentemente inventada, queria permitir aos crentes aceder ao texto sagrado sem passar pela medição da Igreja, que ele julgava corrupta. No século XX conheceu também numerosas traduções, que correspondem cada uma a uma fase da reflexão dos estudos bíblicos.

Como ler a Bíblia?

A Bíblia não é um livro como os outros. Não é um texto ditado por Deus, mas transmitido por homens inspirados por Deus. Os crentes consideram-na como um livro santo, um livro que evoca a relação entre os homens e Deus. E a sua leitura exige esforços, porque esta relação não é simples. Ela oscila entre esperanças e decepções, momentos de grandeza ou de violência. Ah! Se Deus tivesse feito do homem uma criatura obediente e sem ambiguidades! Mas Deus preferiu deixar ao homem a liberdade, nomeadamente a liberdade de escolher entre o bem e o mal. As numerosas narrativas bíblicas ilustram os riscos e as consequências destas escolhas. Elas também tentam acordar-nos quando a fé se torna demasiado rotineira. Nos Evangelhos, Jesus provoca os "bons crentes", preferindo-lhes as crianças, os marginais: é uma forma de recordar que a relação com Deus passa pelo amor aos outros, e não pela aplicação cega de receitas feitas.
A Bíblia é um livro exigente tal como a relação com Deus. Não se lê como um romance, mas como a narrativa de uma aliança que compromete o crente numa relação particular entre Deus e os homens.


Em sentido literal

Durante muito tempo, a maior parte dos fiéis pensava que era necessário ler a Bíblia literalmente. Julgavam, por exemplo, que Deus havia criado o mundo em sete dias. Mas, as descobertas da ciência, contradizendo cada vez mais algumas passagens da Bíblia, levaram-nos a uma leitura mais simbólica e mais atenta aos seus diferentes géneros literários. Assim, pode verificar-se, entre outras coisas, que o número sete é muitas vezes utilizado na Bíblia para exprimir a perfeição. É o que acontece com a narrativa da criação. É irrelevante tratar-se de sete dias ou de sete séculos. O que importa é a perfeição absoluta da obra de Deus.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Bíblia - o que sabemos? (2)

Um Antigo e um Novo Testamento

"Antigo" e "Novo Testamento" são designações cristãs. O Antigo Testamento corresponde à Bíblia Judaica: é para os cristãos a primeira aliança que Deus fez com os homens. O Novo Testamento é a nova aliança que Deus fez com os homens, enviando-lhes o seu filho, Jesus. Nos Evangelhos, Jesus faz constantemente referência a profecias e episódios contidos no Antigo Testamento. Ele diz que veio cumprir o que anuncia a primeira aliança.


O passado de um povo

Podemos supor que os hebreus, regressando do seu exílio na Babilónia, no século VI antes da nossa era, quiseram recolher narrativas antigas e escrever outras para recordar a sua grandeza passada. Como acontece frequentemente, esse passado foi, algumas vezes, embelezado. O rei Salomão talvez não fosse assim tão rico e tão sábio como descreve o livro dos Reis. Mas naquela altura era preciso vê-lo assim, para dar ao povo judeu a fidelidade e a esperança necessárias para se reabilitar depois do exílio.


A cada um a sua Bíblia

Um cristão não tem a mesma Bíblia que um judeu. Com efeito, os judeus não consideram Jesus como o Messias e, por isso, não reconhecem o Novo Testamento. Mas mesmo os cristãos não utilizam todos a mesma Bíblia. Existem variantes que distinguem as bíblias católicas, ortodoxas e protestantes.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Bíblia - o que sabemos?

Quem a escreveu?

É difícil dizer quem escreveu a Bíblia uma vez que não há rascunho nem "primeira edição". A partir do início do século XX, os investigadores concordam em dizer que certos livros da Bíblia, muito antigos, foram transmitidos oralmente e, muito tempo depois, postos por escrito. O Êxodo fará parte destes. O seu estilo arcaico e as suas repetições são típicas da tradição oral. Outros, pelo contrário, são "recentes" e foram redigidos directamente. Mas, mesmo entre estes encontram-se, por vezes, contradições, como se copistas meticulosos tivessem colado junto versões diferentes. Por exemplo, o Livro de Samuel apresenta seguidas duas versões diferentes do encontro entre Saul e David.Onde está a versão original?

Não existe uma versão original! As cópias mais antigas que possuímos destas versões remontam ao século X. Há sessenta anos, descobriu-se numa gruta chamada Qumran, na Cisjordânia, perto do Mar Morto, extractos de livros bíblicos inscritos em rolos de papiros cuja idade ultrapasa os dois mil anos. Contudo, isto não nos oferece qualquer indicação sobre os autores ou a data de redacção da Bíblia. O texto que serve de referência nos nossos dias é uma edição estabelecida em função destes diferentes manuscritos.

Em que língua?

A única coisa que temos (quase) certa é que o Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Em todo o caso, algumas passagens foram escritas em grego ou em aramaico, seja por terem sido escritas nessas línguas, seja por terem sido traduzidas em grego e o original hebraico se perdeu.
Já o Novo Testamento foi inteiramente redigido em grego. Como os seus redactores queriam chegar ao maior número possível de pessoas, escolheram esta língua, que era a mais falada no mundo antigo. Entre o século II e o III, sábios judeus, os massoretas, editaram o texto em hebraico, juntando-lhe vogais (o alfabeto hebraico não assinalava as voais, razão pela qual o sentido de certas passagens nem sempre é claro). As cópias mais antigas que possuímos remontam ao século X.


Uma grande Biblioteca

Tudo se passa como se os hebreus tivessem reunido, ao longo dos tempos, livros e histórias num só livro, que seria como uma grande biblioteca. Aliás, é esse o significado da palavra "Bíblia", que vem do grego ta biblia, "os livros". Contudo, é mais do que uma biblioteca em que os livros se dispõem simplesmente ao lado uns dos outros. Porque esses livros repercutem-se uns nos outros, através de dados históricos, de números simbólicos, de termos carregados de todo o significado que tinham neste ou naquele livro.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Bíblia


Palavra de Deus para uns, texto fundador para outros,
a Bíblia tem as suas raízes nas profundezas da humanidade.
Desde há dois mil anos, os leitores encontram aí respostas
às inquietudes e incoerências dos seus tempos.
O nosso mundo actual não escapa a essa regra o que leva os jovens
a questionarem-nos e a questionarem Deus
sobre as suas aparentes contradições:
«Se Deus existe, porque existe o mal e a violência?»
«Como pode Jesus dizer: Este é o meu corpo?»

Mas ler a Bíblia nunca foi fácil.
O apóstolo Filipe, vendo um alto funcionário egípcio
debruçar-se sobre as visões do profeta Isaiás, pergunta-lhe:
«Compreendes verdadeiramente aquilo que lês?»
E o estrangeiro responde:
«Como posso compreender se ninguém me explica?» (Act 8, 30)